“Mastiguei, tentando saborear lentamente... Pausei - fechei os olhos - continuei... Degustei cada segundo que estivemos ali. Sua presença negra aguçou meus sentidos, cravando em meu corpo um desejo antigo...
A época do ano era de festas... Não lembro se de natal ou páscoa. Algo ligado a Jesus, morte, vida... Não lembro mesmo, mas lembro de que ela iria visitar a família que morava distante, então corremos pra nos ver, demos um jeito na chuva forte da cidade. Fizemos ela parar para podermos ir á praia, assim... só pra sentir a brisa da noite. Afinal, o sol não era muito o forte de Ana.
Corremos para nos ver, e além de darmos um jeito na chuva demos um jeito também no tempo, ele teve de aparecer em nossas vidas corridas, e quando apareceu, fizemos ele passar bem devagar e ser só nosso! Marcamos na lanchonete da Neide, sempre íamos lá tomar sorvete de açaí, conversamos um pouco sobre a vida das borboletas e ela me levou no mar para vermos a lua cheia. Achei meio deserto, mas com ela eu me sentia segura. “tire a blusa!” falou, como sempre, cheia de certeza e eu... Sorri, como sempre, cheia de dúvidas. Então sua boca me esquentou o peito, quem sou eu para não obedecer aos seus pedidos tão certeiros?
Fazia tempo que não me sentia daquele jeito, acolhida num mundo tão desconhecido, então fui sorrindo com menos dúvidas e levei ela pra casa.
Nos mastigamos.
Quando amanheceu, despertei num susto e ela não estava mais lá, ainda procurei no banheiro, na cozinha, olhei a garagem... Sua moto não estava. Deu trabalho aceitar, aí fui tomar banho.
Liguei ainda umas três vezes pra Ana, queria saber como pôde ter saído tão cedo e sem se despedir de mim. Mas ela só me atendeu na última tentativa, já era noite e ela falava meigo, falava calmo. Em contraste com minha pressa e tumulto de palavras soltas, ela pausadamente dizia que já era tarde e queria dormir, que a família dela estava toda reunida e que deixou um presente para mim embaixo da cama. Fui correndo abrir, com ela pendurada no meu ouvido. Agora ela cantarolava alguma coisa de Caetano, eu continuava falando palavras soltas, como “saudade”, “lua” e “fugir”, mas parei a desordem da fala quando desatei o laço vermelho, uma boneca delicada sorrindo pra mim, me acalmou. Ao abraça-la, ela tocou uma música tranquila. Desliguei o telefone, arremessando ele no cantinho da cama.
Fiquei calada o restinho da noite e adormeci com ela dentro da boneca, com vontade de mastigar mais um pouco. Na verdade, de digerir aquilo tudo que sentia...
segunda-feira, 23 de dezembro de 2013
quarta-feira, 18 de dezembro de 2013
Passa... Assim como tudo na vida.
“...Entendo tanto da vontade e do desejo de querer ir além de um beijo, quanto da consciência de que isso não pode acontecer...” esta frase dela ficou gravada em minha cabeça a noite toda, em uma parte das manhãs e tardes desta semana longa. Mas que graças a deus, acabou.
Estive bem pensativa, bem “sentindo”.
Às vezes me pego lembrando do movimento das ondas e das línguas, e misturado a tudo isso uma alegria inexplicável daquele instante, daquela tarde de conversas infindáveis, bonitas, sintonia incrível e alguns cuidados com as palavras ou com os corpos, não sei...mas tinha que ter cuidado, afinal de contas, se por um acaso descuidasse, estaria em questão de segundos, deitada sobre ela na areia, retirando facilmente o biquíni e esquecendo completamente os (inúmeros) vizinhos de mesa do bar...Por isso, cuidei de cuidar de alguns pensamentos e movimentos para que tivesse o mínimo de controle de cada um deles...
Fato: somente o sol estava mais forte que meu desejo, e ele chegava a doer, mas cada gole de cerveja o acalmava mais um tanto, esfriava a cabeça cheia, e trazia mais sorrisos, em nós duas. O jeito dela me fazia sentir leve, calma e ao mesmo tempo, muito viva, muito “eu”, a ponto de eu falar, sentir e fazer coisas iguaizinhas a... Mim mesma, assim, bem de verdade, sem nada a esconder. Isto me deixou feliz.
Mas, ao mesmo tempo em que encontrei esta sintonia, esta cumplicidade, algo assustadoramente bom e repleto de sensações tão doces como uma chuva ao final de tudo...eu estive preocupada e posso dizer que um tanto triste, pois sendo tão “eu mesma” assim...não seria possível de forma alguma deixar ela voltar pra casa sem antes provar um pouco do seu beijo, sentir seu corpo...minha natureza fatalmente me levaria a fazer algo que decididamente não podia (pelo menos não esta situação atual). A Manoela é namorada de um grande amigo meu, e nem ele, nem o universo poderiam ter evitado aquele beijo. Apenas eu...ou ela...mas não o fizemos.
Trazíamos os mesmos cigarros na bolsa, o mesmo sorriso na boca e um desejo que também acho que foi igual, mas assim, bem escondido (com muito trabalho). Estava claro, obvio demais até, que este clima já rolava, e eu, ela, agora ali, sozinhas, sem amigo(s), sem freios nas palavras, mas ainda com freios nas ações/que bom. Estava claro demais que eu ia fazer aquilo, mas sou boa nestas coisas de tentar me enganar com frases prontas do tipo “não...isso não vai acontecer...”
Manoela e seu beijo me acompanharam esta semana. Meu amigo não me ligou estes dias e minha preocupação passou de leve para moderada, eu diria... Mesmo assim troquei mensagens com ela, parece que estamos entendidas e que as duas têm plena convicção que ali foi apenas uma queda inevitavelmente-boa, e que isso não deve se repetir, pois eu particularmente acho bastante perigoso, um tanto arriscado demais para tentar. O problema é que até isso me atrai.
Nunca mais havia fumado tanto em tão pouco tempo, bebido tanto em tão poucas horas ou escrito tanto em tão poucas linhas. Isso também me faz sentir mais viva. Mas o trabalho, as aulas e a casa para cuidar têm me ajudado a fazer e pensar outras coisas e a aliviar mais este sentimento estranho de medo-alegria-medo.
Trata-se somente de mais uma mulher encantadora e proibida que cruzou meu caminho, tenho que entender assim, retirando maiores e profundos pensamentos sobre isso.
Uma semana antes desta ida à praia, meu amigo e eu fomos beber algo com vodca em um restaurante muito fino, com musica muito boa. Ele falava de Manoela a maior parte do tempo, eu tentava entende-lo. Ele não estava muito feliz, e isso acabava comigo, pois nossa amizade já tem anos de carinho e cuidado, o conheço bastante e por vezes ele nem precisa falar nada para que eu entenda o que está sentindo. Imagina assim, abrindo o coração comigo, olhando tão dentro de meus olhos e dizendo que não sabe o que fazer...
Jorge é namorado da Manoela, ele tem 30 e ela completou 24 semana passada, já têm um ano de relacionamento e os signos até combinam. Ele é apaixonado por ela, e hoje, uma semana depois daquela praia com ela, isso é o que mais mexe comigo... tenho um misto de decepção com a maldita alegria.
Conheci o Jorge no colégio, ele sempre teve um cuidado comigo que me cativou de cara. Bebíamos escondidos ao final da aula (quando conseguíamos esperar ela acabar) e na faculdade de artes também estávamos bastante juntos, nos trabalhos em grupo, nas festas de final e começo de período...depois de formados nunca nos afastamos por completo. Me faz bem estar com ele, e deve ser recíproco afinal de contas sempre posso contar com o Jorge e ele comigo.
Mas tenho que parar de pensar nestas coisas, minha consciência me machuca um tanto se estaciono demais nestas lembranças. Afinal, foi só um beijo. O que é que um simples beijo atrapalharia esta amizade de anos? Nada. Só mesmo este apertinho aqui no peito que já está chato de sentir e que nunca vou poder compartilhar com ele. Será uma das poucas coisas que não divido com ele. Mas acontece que as cinzas destes cigarros baratos já estão deixando a sala toda fedida e preciso me levantar, fazer algo em relação a isso. Tentar não pensar muito nela, nem em seus seios, nem mesmo em seu jeito. Sair com outros amigos para parar de escrever...
Abro a geladeira e tiro uma cerveja gelada o suficiente para me fazer desistir da possibilidade sair da sala fedida. Acendo mais um cigarro, faço um brinde sozinha e pego a caneta mais uma vez. Ainda acho que ela é uma companhia maravilhosa nestas horas. E assim se foram as cervejas claras e as escuras, até mesmo aquela em lata, que já havia congelado e descongelado três vezes devido à queda de energia no prédio semana passada.
Enfim, adormeci até o dia clarear e depois de um banho muito frio e necessário, fui trabalhar. Repeti isto os cinco dias úteis, torcendo pela chegada dos inúteis, e a mesma coisa por quatro semanas. Enfim, um mês se passou.
Jorge me chamou para sair umas duas vezes neste tempo, eu sempre estava livre e disponível, mas dizia o contrário, tentando evitar um olhos nos olhos. Mas hoje não teve jeito, ele passou aqui em meu apartamento e buzinou bastante de lá de baixo gritando “Vamos para praia Janaaa!”.
Não tive como dizer não, dizer que não podia...o convidei para subir enquanto me arrumava, ele pegou uma cerveja na geladeira, a sua preferida e uma das que eu menos gostava, mas havia comprado ontem umas 20 delas devido a uma promoção incrível. Ele abaixou um pouco o som da sala, tocava algo em inglês, e bebeu duas ou três garrafas, conversando alto comigo sobre o trabalho que estava fazendo no museu da cidade. Parecia bem animado. Enquanto isso eu escolhia um biquíni bem colorido, recolhia na bolsa o protetor solar mais forte, os óculos de sol que acabei de comprar e uma canga acaso fossemos sentar na beira do mar.
Cheguei à sala e aumentei o som, peguei um gole generoso daquela cerveja amarga, porém barata, olhei para Jorge e ele para mim, trocamos alguns sorrisos mudos e ele, vindo ao meu encontro, com o corpo e com a alma, abraçou-me forte. Disse que estava me achando triste e que isso iria passar, seja lá qual fosse o motivo. Pegou minha bolsa da mesa, colocou meus óculos escuros em meu rosto e roubou mais umas três cervejas antes de sair pela porta da cozinha. Não sei por que merda ele insiste em sair por esta porta!
Entrei no carro vermelho, estava estranhamente limpo e cheiroso. Jorge não é muito bom nisto de cuidar das coisas dele. Fomos ouvindo na rádio uma mulher cantar, tinha uma voz bastante aguda, e Jorge enlouquecia cada vez que ela gritava. Eu comecei a entrar no clima deles dois e parecia um especial dela, uma homenagem dessas de aniversário de morte de um cantor...não sei. Mas gostei demais daquela voz.
Jorge me levou para um lugar da praia que nunca tinha ido, era bem distante e não havia bares, casas, pessoas... Tinha muitos coqueiros e uma vista linda. Ficamos conversando e bebendo as cervejas, já quentes. Ele estava bonito, barba feita, conversa fiada, cafuné em meu cabelo, olhares compreensivos e tudo que precisava naquele fim de tarde.
O sol foi embora e decidimos sair dali, estava ficando meio estranho e escuro... Ele comentou de Manoela umas duas vezes durante as conversas, parecia tudo bem e fiquei mais aliviada. Não fiz muitas perguntas sobre ela, como era de costume, não pedi para chamar ela, como era de costume. Ficamos só nós dois. Como antes.
Saímos da praia e fomos tomar cervejas, geladas, lá em casa.
Manoela ligou para Jorge quando estávamos ainda na quinta cerveja, lembro muito bem disso porque as ímpares eu que ia buscar na geladeira e Jorge as de número par. Estava na cozinha quando o ouvi falar com ela, carinhosamente prometendo não demorar. Foi aí que sorri sozinha, com a geladeira aberta e finalmente me acalmei. Tudo estava bem...
Nada mais de medos ou receios quanto à amizade com o Jorge. O desejo por Manoela ainda não acabou, infelizmente isso não dá para controlar tão bem, mas pelo menos (acho que) sei o que posso fazer para ir acabando com ele aos poucos. Penso que sumindo um pouco dela ou então não me colocando outra vez naquela situação de tanta proximidade dos corpos. Sei que mais cedo ou mais tarde vou vê-la, espero que com o Jorge do lado, espero que com menos beleza no rosto, espero que com menos sensualidade no corpo.
Enquanto isso os dias e semanas continuam a passar, bem como tudo na vida.
Estive bem pensativa, bem “sentindo”.
Às vezes me pego lembrando do movimento das ondas e das línguas, e misturado a tudo isso uma alegria inexplicável daquele instante, daquela tarde de conversas infindáveis, bonitas, sintonia incrível e alguns cuidados com as palavras ou com os corpos, não sei...mas tinha que ter cuidado, afinal de contas, se por um acaso descuidasse, estaria em questão de segundos, deitada sobre ela na areia, retirando facilmente o biquíni e esquecendo completamente os (inúmeros) vizinhos de mesa do bar...Por isso, cuidei de cuidar de alguns pensamentos e movimentos para que tivesse o mínimo de controle de cada um deles...
Fato: somente o sol estava mais forte que meu desejo, e ele chegava a doer, mas cada gole de cerveja o acalmava mais um tanto, esfriava a cabeça cheia, e trazia mais sorrisos, em nós duas. O jeito dela me fazia sentir leve, calma e ao mesmo tempo, muito viva, muito “eu”, a ponto de eu falar, sentir e fazer coisas iguaizinhas a... Mim mesma, assim, bem de verdade, sem nada a esconder. Isto me deixou feliz.
Mas, ao mesmo tempo em que encontrei esta sintonia, esta cumplicidade, algo assustadoramente bom e repleto de sensações tão doces como uma chuva ao final de tudo...eu estive preocupada e posso dizer que um tanto triste, pois sendo tão “eu mesma” assim...não seria possível de forma alguma deixar ela voltar pra casa sem antes provar um pouco do seu beijo, sentir seu corpo...minha natureza fatalmente me levaria a fazer algo que decididamente não podia (pelo menos não esta situação atual). A Manoela é namorada de um grande amigo meu, e nem ele, nem o universo poderiam ter evitado aquele beijo. Apenas eu...ou ela...mas não o fizemos.
Trazíamos os mesmos cigarros na bolsa, o mesmo sorriso na boca e um desejo que também acho que foi igual, mas assim, bem escondido (com muito trabalho). Estava claro, obvio demais até, que este clima já rolava, e eu, ela, agora ali, sozinhas, sem amigo(s), sem freios nas palavras, mas ainda com freios nas ações/que bom. Estava claro demais que eu ia fazer aquilo, mas sou boa nestas coisas de tentar me enganar com frases prontas do tipo “não...isso não vai acontecer...”
Manoela e seu beijo me acompanharam esta semana. Meu amigo não me ligou estes dias e minha preocupação passou de leve para moderada, eu diria... Mesmo assim troquei mensagens com ela, parece que estamos entendidas e que as duas têm plena convicção que ali foi apenas uma queda inevitavelmente-boa, e que isso não deve se repetir, pois eu particularmente acho bastante perigoso, um tanto arriscado demais para tentar. O problema é que até isso me atrai.
Nunca mais havia fumado tanto em tão pouco tempo, bebido tanto em tão poucas horas ou escrito tanto em tão poucas linhas. Isso também me faz sentir mais viva. Mas o trabalho, as aulas e a casa para cuidar têm me ajudado a fazer e pensar outras coisas e a aliviar mais este sentimento estranho de medo-alegria-medo.
Trata-se somente de mais uma mulher encantadora e proibida que cruzou meu caminho, tenho que entender assim, retirando maiores e profundos pensamentos sobre isso.
Uma semana antes desta ida à praia, meu amigo e eu fomos beber algo com vodca em um restaurante muito fino, com musica muito boa. Ele falava de Manoela a maior parte do tempo, eu tentava entende-lo. Ele não estava muito feliz, e isso acabava comigo, pois nossa amizade já tem anos de carinho e cuidado, o conheço bastante e por vezes ele nem precisa falar nada para que eu entenda o que está sentindo. Imagina assim, abrindo o coração comigo, olhando tão dentro de meus olhos e dizendo que não sabe o que fazer...
Jorge é namorado da Manoela, ele tem 30 e ela completou 24 semana passada, já têm um ano de relacionamento e os signos até combinam. Ele é apaixonado por ela, e hoje, uma semana depois daquela praia com ela, isso é o que mais mexe comigo... tenho um misto de decepção com a maldita alegria.
Conheci o Jorge no colégio, ele sempre teve um cuidado comigo que me cativou de cara. Bebíamos escondidos ao final da aula (quando conseguíamos esperar ela acabar) e na faculdade de artes também estávamos bastante juntos, nos trabalhos em grupo, nas festas de final e começo de período...depois de formados nunca nos afastamos por completo. Me faz bem estar com ele, e deve ser recíproco afinal de contas sempre posso contar com o Jorge e ele comigo.
Mas tenho que parar de pensar nestas coisas, minha consciência me machuca um tanto se estaciono demais nestas lembranças. Afinal, foi só um beijo. O que é que um simples beijo atrapalharia esta amizade de anos? Nada. Só mesmo este apertinho aqui no peito que já está chato de sentir e que nunca vou poder compartilhar com ele. Será uma das poucas coisas que não divido com ele. Mas acontece que as cinzas destes cigarros baratos já estão deixando a sala toda fedida e preciso me levantar, fazer algo em relação a isso. Tentar não pensar muito nela, nem em seus seios, nem mesmo em seu jeito. Sair com outros amigos para parar de escrever...
Abro a geladeira e tiro uma cerveja gelada o suficiente para me fazer desistir da possibilidade sair da sala fedida. Acendo mais um cigarro, faço um brinde sozinha e pego a caneta mais uma vez. Ainda acho que ela é uma companhia maravilhosa nestas horas. E assim se foram as cervejas claras e as escuras, até mesmo aquela em lata, que já havia congelado e descongelado três vezes devido à queda de energia no prédio semana passada.
Enfim, adormeci até o dia clarear e depois de um banho muito frio e necessário, fui trabalhar. Repeti isto os cinco dias úteis, torcendo pela chegada dos inúteis, e a mesma coisa por quatro semanas. Enfim, um mês se passou.
Jorge me chamou para sair umas duas vezes neste tempo, eu sempre estava livre e disponível, mas dizia o contrário, tentando evitar um olhos nos olhos. Mas hoje não teve jeito, ele passou aqui em meu apartamento e buzinou bastante de lá de baixo gritando “Vamos para praia Janaaa!”.
Não tive como dizer não, dizer que não podia...o convidei para subir enquanto me arrumava, ele pegou uma cerveja na geladeira, a sua preferida e uma das que eu menos gostava, mas havia comprado ontem umas 20 delas devido a uma promoção incrível. Ele abaixou um pouco o som da sala, tocava algo em inglês, e bebeu duas ou três garrafas, conversando alto comigo sobre o trabalho que estava fazendo no museu da cidade. Parecia bem animado. Enquanto isso eu escolhia um biquíni bem colorido, recolhia na bolsa o protetor solar mais forte, os óculos de sol que acabei de comprar e uma canga acaso fossemos sentar na beira do mar.
Cheguei à sala e aumentei o som, peguei um gole generoso daquela cerveja amarga, porém barata, olhei para Jorge e ele para mim, trocamos alguns sorrisos mudos e ele, vindo ao meu encontro, com o corpo e com a alma, abraçou-me forte. Disse que estava me achando triste e que isso iria passar, seja lá qual fosse o motivo. Pegou minha bolsa da mesa, colocou meus óculos escuros em meu rosto e roubou mais umas três cervejas antes de sair pela porta da cozinha. Não sei por que merda ele insiste em sair por esta porta!
Entrei no carro vermelho, estava estranhamente limpo e cheiroso. Jorge não é muito bom nisto de cuidar das coisas dele. Fomos ouvindo na rádio uma mulher cantar, tinha uma voz bastante aguda, e Jorge enlouquecia cada vez que ela gritava. Eu comecei a entrar no clima deles dois e parecia um especial dela, uma homenagem dessas de aniversário de morte de um cantor...não sei. Mas gostei demais daquela voz.
Jorge me levou para um lugar da praia que nunca tinha ido, era bem distante e não havia bares, casas, pessoas... Tinha muitos coqueiros e uma vista linda. Ficamos conversando e bebendo as cervejas, já quentes. Ele estava bonito, barba feita, conversa fiada, cafuné em meu cabelo, olhares compreensivos e tudo que precisava naquele fim de tarde.
O sol foi embora e decidimos sair dali, estava ficando meio estranho e escuro... Ele comentou de Manoela umas duas vezes durante as conversas, parecia tudo bem e fiquei mais aliviada. Não fiz muitas perguntas sobre ela, como era de costume, não pedi para chamar ela, como era de costume. Ficamos só nós dois. Como antes.
Saímos da praia e fomos tomar cervejas, geladas, lá em casa.
Manoela ligou para Jorge quando estávamos ainda na quinta cerveja, lembro muito bem disso porque as ímpares eu que ia buscar na geladeira e Jorge as de número par. Estava na cozinha quando o ouvi falar com ela, carinhosamente prometendo não demorar. Foi aí que sorri sozinha, com a geladeira aberta e finalmente me acalmei. Tudo estava bem...
Nada mais de medos ou receios quanto à amizade com o Jorge. O desejo por Manoela ainda não acabou, infelizmente isso não dá para controlar tão bem, mas pelo menos (acho que) sei o que posso fazer para ir acabando com ele aos poucos. Penso que sumindo um pouco dela ou então não me colocando outra vez naquela situação de tanta proximidade dos corpos. Sei que mais cedo ou mais tarde vou vê-la, espero que com o Jorge do lado, espero que com menos beleza no rosto, espero que com menos sensualidade no corpo.
Enquanto isso os dias e semanas continuam a passar, bem como tudo na vida.
quinta-feira, 14 de novembro de 2013
Equilibrando, por acaso. Ou não.
-‘Oi... Não vai entrar?’, falou assim, meio baixo, quase sussurrando. Era costume ela esconder a voz tão bonita. Olhei ao redor: Ninguém (e isso era raro acontecer por ali, por aqui também). Não tinha como não aceitar o convite, que vinha tão verdadeiro e cheio de vontade, das duas partes. Entrei...
(Já era tarde, umas dez, onze horas da noite quando a encontrei pela primeira vez, usava preto, e logo depois soube que era sua cor favorita. Nos encontramos numa praia, amigos em comum, coisa e tal, parecia obra do destino mesmo. Mas sempre fico naquela dúvida, se o “acaso” existe ou se realmente já está tudo escrito. ‘Pegue aqui na minha mão, né?’, falou bem assim, como se fosse algo óbvio. Ela tentava subir na corda do slackline esticada entre dois coqueiros, mas por ser sua primeira vez, teve bastante dificuldade, e eu, estando ali ao seu lado, por acaso, ou não, segurei firme sua mão, ajudei ela a subir e tudo aquilo se equilibrou em mim. A morena e o momento.
Também por acaso, ou não, nunca mais nos encontramos pela cidade depois daquele dia. Tivemos apenas algumas conversas por telefone, falando do mundo, da vida e principalmente de nós mesmas. Incrível como era gostoso escutá-la e poder falar de mim, assim, com tanta verdade junta. Ás vezes sumíamos por acaso, ou não. Mas sempre reaparecíamos em mensagens, e-mails, telefonemas... Assim, do nada. Só pra lembrar que ainda havia lembranças. E havia ali uma saudade muito forte daquelas poucas horas que nos vimos, era uma saudade também do que nunca teve... Mas que existia em nossos pensamentos, imaginação e até sonhos.)
... Entrei...
Finalmente nos reencontramos e não fazia sentido ficar do lado de fora, chovia forte e lá dentro parecia gostoso. Eu senti vontade de correr e abraça-la na velocidade de um foguete, mas meu corpo encharcado freou e sorriu. O dela também sorriu, e aquilo então se equilibrou em mim como em corda bamba.
Na velocidade do desejo, embaçado no quarto escuro, onde revesavamos entre o quente e o frio. Na velocidade daquela saudade: Cama, mãos, TV ligada e nós duas ali, ao vivo. Fui despindo aqueles meses de distância com a boca e encontrei o encaixe perfeito nos seus seios. Fomos matando a curiosidade sem receios, conhecendo os gostos musicais pela língua e pelo beijo, que percorriam agora todos os quilômetros que nos separavam. Reconhecendo os traços, os olhares vistos nas fotos, reconhecendo inclusive o cheiro, que até então não se sabia, mas se imaginava...
E se imaginava tanta coisa, que seria preciso muito tempo para então 'se saber'. Deliciosamente experimentamos as possibilidades criadas pela imaginação, e na hora de partir ainda faltava muita coisa, inclusive tempo...
O tempo desta vez foi bem cruel, inventou de passar ligeiro e não me permitiu ficar mais. Acabou rápido, se foi... Mas foi ele também que juntou a gente né? Tem todo direito de acabar, assim, por acaso, ou não.
É dar tempo ao tempo, esperar ele cuidar das coisas e ficar assim, no mesmo desejo, agora talvez mais forte... Não sei. Mas tentar equilibrar as coisas por aqui.
sexta-feira, 18 de outubro de 2013
"do baú"
meu:
Tão intensa que assusta. E afasta. E ofusca, mesmo de manhã quando prende o cabelo. Tão intensa que chega a doer os ossos. Choque térmico. E principalmente quando me olha do espelho e sorri. Queima. Porque qualquer olhar não é só um olhar. Corta. Porque qualquer sorriso não é só um sorriso. Sangra pela pia todos os meus sonhos. E os temores. As inevitáveis dores. Tudo na mesma intensidade. O problema é que não existe intuição no amor. No amor só existem degraus. Aqueles degraus que você vai subindo.
dela:
Parecia uma maluca dançando. Descoordenada. Solta. Alucinada. Era bonito de se ver. Com o corpo meio derretido, suado e vermelho. Tinha olhos de gato. Faiscantes. Negros. Esquivos. Me pediu uma cerveja. Assim mesmo - 'pega uma cerveja pra mim' - como se fossemos amigas. No minimo como se me conhecesse. E eu - ainda sem saber por que - fui pegar. Assim mesmo,submissa. Robótica. Hipnotizada. Levantei e fui. Quando voltei ela ainda dançava. Pegou a lata gelada, deu um gole e me beijou. Lábios macios. Gosto amargo. Cheiro de fruta. Seria pitanga? Dentro do nosso beijo surgiram outras bocas, línguas, mãos, peles. Outros corpos. Música. Fumaça. Dança.
Uma saudade que Vivi
De repente anoitece,
a cidade vai dormir.
Calada, fico imaginando o que acontece,
Naquele “você sem mim”.
Não entendo como tanta saudade
Pode caber assim em meu peito.
Lembro então de sua vaidade,
borrada no batom vermelho.
Ah! Que vontade que eu tenho,
de saber qualquer coisa sua.
Às vezes fico até sem jeito,
pois esta vontade pode não ser a tua.
Não sabia que você era assim,
algo tão forte pra mim.
Não imaginava que essa saudade,
fosse tanta maldade,
E doesse tanto... Enfim!
Enfim te escrevo,
já não deu para aguentar.
Faltam ainda quatro dias,
para eu talvez... te encontrar.
E aí então eu prometo,
vou entrar em teu peito,
E matar a saudade do verso que tem nele,
Tatuado,
Marcado.
E aí então eu garanto, a saudade vai embora.
Pra quem sabe voltar logo em seguida,
Mas, pra quem sabe, ser menos doída,
Que esta noite, que este “agora”.
a cidade vai dormir.
Calada, fico imaginando o que acontece,
Naquele “você sem mim”.
Não entendo como tanta saudade
Pode caber assim em meu peito.
Lembro então de sua vaidade,
borrada no batom vermelho.
Ah! Que vontade que eu tenho,
de saber qualquer coisa sua.
Às vezes fico até sem jeito,
pois esta vontade pode não ser a tua.
Não sabia que você era assim,
algo tão forte pra mim.
Não imaginava que essa saudade,
fosse tanta maldade,
E doesse tanto... Enfim!
Enfim te escrevo,
já não deu para aguentar.
Faltam ainda quatro dias,
para eu talvez... te encontrar.
E aí então eu prometo,
vou entrar em teu peito,
E matar a saudade do verso que tem nele,
Tatuado,
Marcado.
E aí então eu garanto, a saudade vai embora.
Pra quem sabe voltar logo em seguida,
Mas, pra quem sabe, ser menos doída,
Que esta noite, que este “agora”.
quinta-feira, 3 de outubro de 2013
A Menina e a Morena...
Ela fica meio que sem jeito,
num susto te encontra no meio da multidão,
e um batom vermelho, num sorriso grande, é retribuído...
A morena sorrindo então, te abraça.
Já tinha saudade!
Saudade é uma coisa que ela sempre tem.
De você, das coisinhas pequenas,
das coisinhas grandes... Belas.
Vocês não se viram antes de ir embora
e a noite tratou de separar os sorrisos largos.
Menina...
Moça de jeito único, e como dizem... forte, verde!
A morena te quer tanto bem.
Menina...
Ela tem uma vontade de te levar no mar,
ver seus cabelos na água,
sua cintura na areia.
Vontade também é uma coisa que ela sempre tem.
De você, dos lugares, dos momentos.
É uma sede de viver...
Ai moça!
Será que este tambor dentro da morena é escutado por você?
E esta sintonia? Coisa bonita de ver.
Acho que este sentimento todo e inexplicável,
cabe tanto lá quanto aí,
muitas histórias se foram e muitas ainda estão por vir.
Já ouvi falar muito de amizade,
esta coisa gigante e intensa.
Mas não tinha noção do quanto de amor isto tudo carregava.
A vida tem ensinado à morena,
coisas assim...
eu diria que, coisas simples e bonitas de aprender.
Aprender com vócê é uma das coisas que ela mais gosta de fazer.
Ai menina!
Não some mais...
Sambe e sorria com a morena,
mande poesia, carinho e mensagem,
assim, só quando sentir vontade...
E que ela sempre venha!
A morena gosta de você, do jeito que você deixar.
Mas sempre com sorriso, sempre com o olhar!
Que não se percam.
Menina...
Morena...
Passarinhos!
num susto te encontra no meio da multidão,
e um batom vermelho, num sorriso grande, é retribuído...
A morena sorrindo então, te abraça.
Já tinha saudade!
Saudade é uma coisa que ela sempre tem.
De você, das coisinhas pequenas,
das coisinhas grandes... Belas.
Vocês não se viram antes de ir embora
e a noite tratou de separar os sorrisos largos.
Menina...
Moça de jeito único, e como dizem... forte, verde!
A morena te quer tanto bem.
Menina...
Ela tem uma vontade de te levar no mar,
ver seus cabelos na água,
sua cintura na areia.
Vontade também é uma coisa que ela sempre tem.
De você, dos lugares, dos momentos.
É uma sede de viver...
Ai moça!
Será que este tambor dentro da morena é escutado por você?
E esta sintonia? Coisa bonita de ver.
Acho que este sentimento todo e inexplicável,
cabe tanto lá quanto aí,
muitas histórias se foram e muitas ainda estão por vir.
Já ouvi falar muito de amizade,
esta coisa gigante e intensa.
Mas não tinha noção do quanto de amor isto tudo carregava.
A vida tem ensinado à morena,
coisas assim...
eu diria que, coisas simples e bonitas de aprender.
Aprender com vócê é uma das coisas que ela mais gosta de fazer.
Ai menina!
Não some mais...
Sambe e sorria com a morena,
mande poesia, carinho e mensagem,
assim, só quando sentir vontade...
E que ela sempre venha!
A morena gosta de você, do jeito que você deixar.
Mas sempre com sorriso, sempre com o olhar!
Que não se percam.
Menina...
Morena...
Passarinhos!
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